Coleções

O museu ocupa dois edifícios contíguos. De um lado, a própria casa — autêntica, preservada no estado em que o jovem Marcel Proust a conheceu. Do outro, um espaço museológico dedicado ao escritor e à sua relação com as artes. Dois lugares, duas dimensões de uma única presença.

« La vraie vie, la vie enfin découverte et éclaircie, la seule vie par conséquent réellement vécue, c’est la littérature. »

Marcel Proust — Le Temps retrouvé

Primeiro edifício

A casa onde tudo começou

Entrar na casa é entrar na infância de Proust. O mobiliário é o da família Amiot. Os vitrais da sala oriental continuam a inundar a divisão com a sua luz. O quarto no primeiro andar — o de tante Léonie — continua voltado para a mesma rua, o mesmo campanário, o mesmo jardim.

O que o visitante sente aqui é raro: a sensação de atravessar não um museu, mas uma recordação. Uma recordação que Proust transformou, trinta anos mais tarde, em literatura universal. Combray não é uma cidade inventada. Está aqui, ao alcance da mão, em cada objeto, cada aroma, cada proporção de cada divisão.

« Il y a une minute encore, je n’étais qu’un être médiocre qui cherchait laborieusement sa voie. Et déjà je n’étais plus lui… »

Marcel Proust — Le Temps retrouvé

Segundo edifício

Proust e as artes

A Recherche é atravessada pelas artes — a pintura de Elstir, a sonata de Vinteuil, os versos de Bergotte. Não é por acaso: Proust viveu rodeado de artistas e frequentou museus, salões e concertos. As coleções do edifício contíguo testemunham-no: objetos pessoais, retratos de amigos — Reynaldo Hahn, Robert de Montesquiou, Céleste Albaret —, correspondência, primeiras edições.

Não se trata de uma ilustração da obra. É a sua fonte.

Um vislumbre

Uma seleção de obras das coleções

Uma amostra das 431 obras registadas no inventário do museu.

Paul-César Helleu, Madame Helleu écrivant

Pintura

Madame Helleu écrivant

Paul-César Helleu (1859–1927)

Retrato a ponta-seca de Alice Helleu realizado pelo marido, o pintor Paul-César Helleu, amigo íntimo de Proust e um dos supostos modelos do pintor Elstir na Recherche.

Cherubino Pata, Vue d’Alger

Pintura

Vue d’Alger

Cherubino Pata (1827–1899)

Um terraço em primeiro plano, três figuras e, ao fundo, a vasta extensão da cidade.

Anaïs Beauvais, Portrait de Jeanne Proust

Pintura

Portrait de Jeanne Proust

Anaïs Beauvais (1832–1898)

Retrato da mãe do escritor, restaurado em 2020 por ocasião de um empréstimo ao Musée Carnavalet.

Portrait de Céleste Albaret

Fotografia

Portrait de Céleste Albaret

1915

A fiel governanta de Marcel Proust, que velou pelo escritor durante os seus últimos anos.

Lettre de Marcel Proust à Louis d’Albufera

Manuscrito

Lettre à Louis d’Albufera

Marcel Proust, primavera de 1904

Poema paródico de 61 versos octossilábicos, com o qual Proust procurou consolar o amigo, obrigado a renunciar a um casamento por amor.

Aquarelle de Suzette Lemaire représentant le château de Réveillon

Obra sobre papel

Le château de Réveillon

Aguarela de Suzette Lemaire

Réveillon, onde Proust permaneceu em 1894 e 1895 e onde nasceu a sua paixão por Reynaldo Hahn — episódio que deixaria vestígios em Les Plaisirs et les Jours.

La lanterne magique, collection Amiot

Objeto

La lanterne magique

Coleção Amiot

O próprio objeto que abre Du côté de chez Swann, projetando nas paredes do quarto as figuras de Golo e Geneviève de Brabant.

Thomas Alexander Harrison, Beach Tides

Pintura

Beach Tides

Thomas Alexander Harrison (1853–1930), c. 1895

Paisagem marinha de Beg-Meil, pintada pelo artista americano que Proust ali conheceu em 1895 — uma das fontes da personagem de Elstir.

Thomas Alexander Harrison, Coucher de soleil sur la mer

Pintura

Coucher de soleil sur la mer

Thomas Alexander Harrison (1853–1930)

Uma segunda pintura do mesmo artista, integrada nas coleções no final de 2025 por direito de preferência.

Jacques-Émile Blanche, Dieppe, terrasse du restaurant du Casino

Pintura

Dieppe, terrasse du restaurant du Casino

Jacques-Émile Blanche (1861–1942), 1904

Obra do amigo que, já em 1892, pintou o primeiro grande retrato de Marcel Proust.

René-Xavier Prinet, La Plage de Cabourg

Pintura

La Plage de Cabourg

René-Xavier Prinet (1861–1946), 1908

O passeio normando onde Prinet e Proust observaram, cada um à sua maneira, os mesmos veraneantes — cenário destinado a tornar-se Balbec.

John Ruskin, Pluie sur les sables à Seascale

Obra sobre papel

Pluie sur les sables à Seascale

John Ruskin (1819–1900), 1889

Uma das últimas aguarelas do crítico inglês que Proust traduziu e a quem chamou « le Maître ».

Madeleine Lemaire, bouquet de roses

Obra sobre papel

Bouquet de roses

Madeleine Lemaire (1845–1928)

Exposta no Salon Adrien, esta aguarela recorda o lugar ocupado na vida de Proust por esta anfitriã de salão e artista, que inspirou a personagem de Mme Verdurin.

Placard corrigé d’À l’ombre des jeunes filles en fleurs

Manuscrito

Placard d’À l’ombre des jeunes filles en fleurs

Prova corrigida

Reprodução em tamanho real de uma prova corrigida, originalmente apresentada numa exposição da Bibliothèque nationale de France.

Photographie de Reynaldo Hahn dédicacée à Marcel Proust

Fotografia

« À Marcel »

Reynaldo Hahn, fotografia de Otto, cerca de 1894

Retrato com dedicatória do músico que foi o grande amor da juventude de Proust, antes de se tornar o seu amigo mais fiel.

Pendule Louis XVI offerte par Marcel Proust à Gabriel de La Rochefoucauld

Objeto

La pendule de Gabriel de La Rochefoucauld

Época Luís XVI, cerca de 1780

Oferecida por Proust ao amigo por ocasião do seu casamento em 1905, integrou as coleções mais de um século depois.

Esta seleção é apenas uma amostra. Descubra todas as nossas coleções no portal online dos Musées de la Région Centre-Val de Loire — ou, melhor ainda, venha visitar-nos!

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