Laurent Vinatier: Proust na prisão
Preso na Rússia de junho de 2024 a janeiro de 2026, Laurent Vinatier conta como a descoberta de Proust na detenção o ajudou a resistir ao isolamento e à angústia, até fazer da literatura uma verdadeira maneira de aguentar e de se projetar no futuro.
Jérôme Bastianelli, presidente da Société des Amis de Marcel Proust — Laurent Vinatier, o senhor é um antigo investigador em relações internacionais, especialista do mundo russo. Esteve preso na Rússia de junho de 2024 a janeiro de 2026, inicialmente por um motivo administrativo, um pretexto. Depois da sua libertação, num retrato que o Le Monde lhe dedicou, contava que uma das primeiras coisas que desejava fazer ao regressar a França era ir a Cabourg, seguindo os passos de Marcel Proust, que tinha descoberto na prisão. Foi isso que nos deu vontade de o convidar esta noite. Mas antes de falarmos desse encontro com Proust, pode recordar-nos as circunstâncias da sua detenção?
Laurent Vinatier — Trabalhava para uma organização não governamental sediada na Suíça, especializada em mediação internacional. O nosso ofício consistia em tentar manter canais de comunicação entre campos opostos. Ocupei-me primeiro da Ucrânia, a partir de 2014, depois das relações entre a Rússia e a Ucrânia e, depois de 2022, das relações entre a Rússia e os Estados Unidos.
Não tínhamos mandato de nenhum Estado. Isso tornava-nos bastante vulneráveis: não éramos diplomatas nem jornalistas e, a partir do momento em que se fala com os dois campos, é fácil ser suspeito tanto para um como para o outro.
Em 2024, já estava sob vigilância há algum tempo. Prestava-lhe pouca atenção, porque era relativamente habitual. Depois as autoridades russas decidiram prender-me sob um pretexto administrativo: não me tinha registado como «agente estrangeiro». Na Rússia, essa qualificação aplica-se às pessoas que exercem uma atividade considerada política e são financiadas a partir do estrangeiro.
No início, o meu advogado, a minha família e eu próprio pensávamos que o caso se resolveria bastante depressa. Mas fui condenado a três anos de prisão, a pena máxima. Compreendi então que o meu processo tinha ganho uma dimensão política.
Passei os dez primeiros meses numa prisão comum, numa cela de catorze pessoas. As condições eram duras, evidentemente, mas existia uma grande solidariedade entre os presos. Sobretudo, consegui obter livros em francês.
J. B. — E foi assim que Proust entrou na sua cela?
L. V. — Sim. Quando compreendi que corria o risco de passar vários anos na prisão, disse para mim mesmo que talvez fosse o momento de ler tudo o que deveria ter lido antes. Pedi à minha mulher que me enviasse Tchékhov, Racine e Proust.
O problema era que era preciso encontrar livros franceses na Rússia. A minha mulher, que é russa, encomendou os volumes que conseguia encontrar, um pouco ao acaso. E acabaram por me chegar dois volumes de Proust: Le Côté de Guermantes e La Prisonnière. A escolha deste último título era bastante irónica na minha situação! Curiosamente, não fiz logo a ligação.
Tinha recebido também Un amour de Swann, que li nessa primeira prisão. Descobria Proust. Estava um pouco perdido, já que apanhava a obra a meio, mas gostei muito de Swann, dos Verdurin, do ciúme, de todo aquele universo. E, quando tive de deixar essa prisão, escolhi levar comigo os dois volumes que ainda não tinha lido.
J. B. — É então que as suas condições de detenção mudam profundamente.
L. V. — Sim. Depois da condenação, devia ser enviado para uma colónia penal. A transferência é uma experiência extremamente violenta. Viaja-se em comboios celulares, em jaulas, e os prisioneiros podem ser deslocados durante semanas através da Rússia, de prisão de trânsito em prisão de trânsito. É uma maneira de fazer os detidos perderem todas as referências.
Fui colocado numa prisão de trânsito a cerca de duzentos quilómetros de Moscovo. Ali não havia praticamente nada: nem água quente, quase nenhuma possibilidade de nos lavarmos, nem passeio, nem livros. Tinham-nos tirado tudo, incluindo os meus dois livros de Proust.
Depois o FSB decidiu não me enviar para a colónia penal: tinha sido aberto um novo inquérito contra mim, desta vez por espionagem, uma acusação que me podia valer não três, mas vinte anos de prisão. À espera do meu regresso a Moscovo, fui isolado no hospital de uma prisão de província.
Foi aí que as coisas se tornaram muito mais duras. Estava rodeado de presos muito doentes, muitas vezes encarcerados há dezenas de anos. Alguns desapareciam de um dia para o outro. Andávamos rapados, vestidos com uma bata cinzenta, conduzidos em silêncio ao refeitório. Tinha verdadeiramente a impressão de entrar no mundo descrito por Dostoiévski em Souvenirs de la maison des morts.
E, sobretudo, pensava que podia morrer ali.
J. B. — E é precisamente nesse lugar que Proust volta a si.
L. V. — Sim, por uma espécie de milagre. Um preso que trabalhava para a administração da prisão e que tinha uma certa autoridade no piso conseguiu recuperar os meus dois volumes. Um dia trouxe-mos. Foi uma verdadeira lufada de oxigénio.
Não fazíamos praticamente nada durante o dia. Pus-me então a ler Le Côté de Guermantes, muito depressa, quase febrilmente. Depois comecei La Prisonnière. Aliás, os cortes entre os volumes frustravam-me enormemente. No fim de Le Côté de Guermantes, queria absolutamente saber o que ia acontecer a seguir, e não tinha Sodome et Gomorrhe. Estava condenado a saltar de um volume para outro, com buracos consideráveis na história.
J. B. — O que o tocava particularmente em Le Côté de Guermantes?
L. V. — Paris, antes de mais. Os ruídos de Paris, o Bois de Boulogne, a desilusão sentimental com Mme de Stermaria, a duquesa de Guermantes… Eu tinha morado outrora perto do Bois de Boulogne. Ler essas páginas permitia-me, pois, reencontrar lugares que conhecia e transportar-me para lá mentalmente. Havia também todo o mundo dos salões, aquela sociedade parisiense de antes de 1914, ao mesmo tempo atraente e decadente, que descobria pela pena de Proust. E depois, claro, havia a beleza da língua. No hospital da prisão, lia Proust em voz alta. Às vezes, de manhã, um gato entrava no meu quarto. Então lia-lhe páginas de Proust. Adormecia-o com bastante regularidade — mas a mim não!
J. B. — Contou-me que as próprias notas da sua edição tinham desempenhado um papel bastante inesperado.
L. V. — Sim. Descobri nelas que Proust se tinha batido em duelo. Lembrava-me de que estivera envolvido em vários casos desse género, nomeadamente o de Jean Lorrain. Isso impressionou-me enormemente. Tinha de Proust a imagem de alguém que explorara sobretudo o seu mundo interior. E de repente descobria um homem que fora capaz de passar uma noite sabendo que, na manhã seguinte, talvez morresse num duelo. Dizia para mim mesmo: se Proust foi capaz de viver aquela noite, de se levantar no dia seguinte e de ir ao duelo, eu bem posso sobreviver a este hospital. Até as notas de rodapé se tornavam, assim, uma fonte de coragem.
J. B. — Depois é transferido para Lefortovo, em Moscovo.
L. V. — Sim. Lefortovo é uma prisão de alta segurança, tristemente célebre: muitos presos políticos passaram por ela desde a época soviética. Estava agora ali detido no âmbito de um inquérito por espionagem. O regime nada tinha a ver com o da minha primeira prisão: as celas eram previstas para uma ou duas pessoas, andava-se de cabeça baixa, com as mãos atrás das costas. O princípio mesmo de Lefortovo é que os detidos nunca se devem ver uns aos outros. Não houve violência física contra mim, mas uma pressão psicológica permanente.
Passei primeiro quatro meses sozinho numa cela. Havia uma segunda cama vazia, e essa presença possível era em si mesma angustiante: iria chegar alguém? Quando? Quem seria? É como nas peças de Tchékhov: se há uma pistola pendurada na parede, sabe-se que vai ser usada.
Os meus dois Proust tinham-me sido novamente retirados à chegada. Fiz pedidos e, um mês depois, voltaram à minha cela. Eram praticamente os únicos livros em francês a que tinha acesso.
J. B. — E La Prisonnière ganha então uma importância particular?
L. V. — Sim. Lia-a nesse estado de tensão extrema. Interessaram-me especialmente as páginas dedicadas à literatura russa e a Dostoiévski. Durante os meus primeiros meses de detenção, tinha lido muita literatura russa em russo e desenvolvera uma espécie de rejeição. Achava que havia demasiado pathos, demasiado miserabilismo. Em Proust, procurava portanto, com alguma malícia, argumentos contra Dostoiévski! E retinha sobretudo as reservas que ele formulava a seu respeito. Comecei a aprender essas passagens de cor. Tinha aprendido também falas de Charlus em Le Côté de Guermantes, porque achava a sua formulação extraordinária.
J. B. — Porquê essa vontade de aprender Proust de cor?
L. V. — No início, a leitura servia essencialmente para me proteger. Mas, a partir de setembro de 2025, algo mudou. Comecei a sentir que talvez existisse uma mobilização a meu favor e que uma saída era possível. Tentei então transformar a minha resistência em preparação. Até aí, fazia desporto para verificar que ainda aguentava: fazia duzentas flexões todas as manhãs e dizia para mim mesmo que, enquanto conseguisse, estava estável. A partir daí, queria fortalecer-me.
Foi nesse momento que comecei a aprender Proust durante os passeios. Em Lefortovo, o passeio fazia-se sozinho, num pequeno pátio de uma dezena de metros quadrados rodeado de muros altos. Um rádio difundia música muito alto (americana, na maior parte das vezes) para impedir os prisioneiros de comunicar de um pátio para o outro.
Andava então em círculos com o meu volume de Proust, as mãos atrás das costas, e aprendia passagens. Tinha até o cuidado de segurar o livro de modo a que o guarda pudesse ver que eu lia Proust em francês!
J. B. — Havia, nomeadamente, as páginas sobre La Chartreuse de Parme.
L. V. — Sim, porque na prisão acabamos por viver realmente nos livros. Em Lefortovo, podíamos pedir duas obras à biblioteca. Existia um catálogo com centenas de títulos, mas a própria biblioteca não estava de todo arrumada segundo esse catálogo. Era preciso, pois, indicar uma dezena de títulos na esperança de que a bibliotecária encontrasse um ou dois.
Um dia, trouxe-me La Chartreuse de Parme, em russo. Não o tinha pedido em primeiro lugar e disse para mim mesmo: ainda assim, não vou descobrir Stendhal em russo! Mas fi-lo, apesar de tudo. Ora, Proust fala precisamente de La Chartreuse de Parme em La Prisonnière. Os livros punham-se assim a comunicar entre si: lia Stendhal em russo e depois Proust em francês a falar de Stendhal. A prisão criava aproximações que provavelmente nunca teria conhecido noutro lugar.
J. B. — Também começou a escrever.
L. V. — Sim. Escrevia muito e tinha começado um romance que não falava de todo da prisão: passava-se em Veneza. Também aí Proust me acompanhava, já que fala de Veneza. Aprendia certas passagens da sua obra e, quando escrevia na manhã seguinte, tentava reencontrar algo do seu ritmo. Era muito agradável: põem-se alguns adjetivos, muitas vírgulas, e por um instante temos a impressão de escrever como Proust! Mais a sério, aprender as suas frases de cor modificava a minha própria maneira de escrever. Elas ficavam em mim.
J. B. — Chegamos então a Cabourg. Porque é que essa cidade ganhou tanta importância durante a sua detenção?
L. V. — Na prisão de trânsito, antes de recuperar os meus Proust, tinha encontrado um único livro na cela, escrito por um psicanalista americano. Explicava o papel da autossugestão e da visualização: numa situação difícil, era preciso tentar representar com muita precisão um lugar em que nos sentíssemos bem. Quando me vi sozinho em Lefortovo, experimentei esse método. A noite era particularmente difícil. Uma vez apagada a luz, tinha por vezes crises de angústia. Sentia-me extremamente vulnerável e tinha medo de morrer na minha cela.
Tentei primeiro visualizar Veneza, de que gosto muito. Não funcionava. Nessa altura, lia La Prisonnière. Pensei em Balbec. Aliás, no início não sabia muito bem que parte de realidade havia por trás desse nome. Mas Balbec fez-me pensar em Cabourg, onde já tinha ido. Pus-me então a visualizar a praia de Cabourg. E isso funcionava.
Deitado na minha cama, à noite, revia aquela praia. Caminhava mentalmente ao longo do mar. Essa imagem conseguia acalmar a angústia. Cabourg tornou-se assim, através de Proust, um lugar de refúgio.
J. B. — Compreende-se então porque quis lá ir depois da sua libertação.
L. V. — Sim. E quando lá voltei, era mesmo a praia que tinha visto na minha cela. Parecia-se com o que tinha conservado em mim. Na prisão, li também Viktor Frankl, o psiquiatra austríaco que sobreviveu aos campos de concentração e que explica, nomeadamente, que aqueles que resistem são capazes de se projetar na sua vida futura. Ele próprio se imaginava, depois da guerra, a dar conferências em Viena. Isso impressionou-me muito. Já não se tratava apenas de nos protegermos imaginando outro lugar, mas de representarmos um futuro.
J. B. — É finalmente libertado a 8 de janeiro de 2026. Como o soube?
L. V. — Muito tarde. A 19 de dezembro de 2025, durante a grande conferência de imprensa anual de Vladimir Putin, um jornalista da TF1 fizera-lhe uma pergunta sobre mim. Putin respondera que ia examinar a situação. Só compreendi a importância disso vários dias depois. A 30 de dezembro, o FSB fez-me redigir um pedido de perdão ao presidente. Mas recusava-me a criar demasiadas ilusões: na prisão, a esperança pode tornar-se perigosa.
A 8 de janeiro, uma guarda ordenou-me de repente que reunisse todas as minhas coisas em cinco minutos. Ainda pensava que ia simplesmente mudar de cela ou ser transferido para outra prisão. Depois chegou um guarda com o saco que tinha sido colocado no depósito à minha chegada a Lefortovo. Continha, nomeadamente, todos os textos que eu tinha escrito nas prisões anteriores e o início do meu romance. Nesse instante, comecei a compreender. O diretor da prisão anunciou-me o meu perdão. Levaram-me diretamente para a pista de um aeroporto de Moscovo, onde devia ter lugar uma troca por um basquetebolista russo. Quando vi os primeiros franceses, disse para mim mesmo: desta vez, safo-me. É ainda hoje o sentimento que domina: acho incrível ter-me safado.
J. B. — Depois do seu regresso a França, poder-se-ia imaginar que escreveria um testemunho sobre a sua detenção. Ora, não é isso que deseja fazer. Está antes a escrever um romance: como se esta experiência lhe tivesse ensinado, para retomar Proust, que « la vraie vie, la vie enfin découverte et éclaircie, c’est la littérature ».
L. V. — Sim, o que esta experiência me ensinou sobretudo foi a força da literatura. Tenho formação de investigador em ciências políticas e relações internacionais. Tinha lido muita história, muita ciência política, muitos ensaios. Em contrapartida, tinha um pouco abandonado a literatura e não me tinha dado conta do seu poder para nos ensinar a viver. Na prisão, li imenso: Stephen King, Dan Brown, Theodore Dreiser, Stendhal, Proust… Os livros fazem-nos viajar, evidentemente, mas fazem mais. Propõem respostas às perguntas universais. Não a resposta: uma resposta, a de um escritor. E isso já é considerável.
Proust deu-me várias dessas respostas. Aliás, nem sempre estava de acordo com ele! No meu diário, acontecia-me criticar o que ele escrevia sobre o amor ou o ciúme. Mas era precisamente isso, viver com um escritor: discutir com ele, responder-lhe. Não tenho, pois, vontade de escrever um simples relato da minha detenção. Prefiro contar uma história, passar pela ficção, com um narrador que não será exatamente eu. Talvez haja aí também algo que Proust me ensinou: esse jogo entre o autor, o narrador e a personagem. O romance deverá sair em setembro de 2027.
J. B. — Resta-nos desejar-lhe que prossiga a sua leitura de Proust — e, nomeadamente, que preencha todos os buracos que os acasos da biblioteca prisional deixaram na Recherche. E agora que conhece Cabourg, esperamos acolhê-lo em breve em Illiers-Combray, na Maison de Tante Léonie. Obrigado, sobretudo, por ter partilhado connosco esta experiência tão singular: a de uma obra literária que, em circunstâncias extremas, deixa de ser apenas um livro para se tornar um refúgio, uma presença e talvez, no sentido mais concreto do termo, uma maneira de aguentar.
Perguntas do público
Uma espectadora — Lia então em russo, em francês e às vezes em inglês?
L. V. — Sim, embora comunicasse unicamente em russo. Ler em francês tinha algo de quase mágico. Os meus dois volumes de Proust eram os únicos livros franceses que me tinham seguido de uma prisão para a outra. Ainda os tenho. Estão anotados nos lugares onde aprendia as passagens de cor, e ainda me acontece abri-los para as rever.
Neste momento da conversa, a mãe de Laurent Vinatier, presente na sala, toma a palavra.
Sra. Vinatier, mãe de Laurent Vinatier — Gostaria, antes de mais, de vos agradecer. Fiquei muito tocada por terem convidado o Laurent precisamente porque ele tinha falado do seu encontro com Proust na prisão e daquelas páginas que aprendia de cor.
Durante quase um ano e meio, tentámos manter-nos muito discretos, porque não queríamos de modo algum atrapalhar eventuais negociações. Depois compreendemos que os meios de comunicação podiam desempenhar um papel importante. Encontrámos então imensa benevolência e simpatia da parte dos jornalistas. Para nós também, essa mobilização contou muito. Viver durante meses na inquietação é muito difícil. Poder finalmente agir, falar, exprimir-nos, e saber que as pessoas nos ouviam fez-nos muito bem.
J. B. — Muito obrigado. E obrigado também por estar connosco esta noite.
Uma espectadora — O que resta de Stendhal quando o lemos em russo?
L. V. — Não é evidentemente a mesma coisa que lê-lo em francês, mas fiquei surpreendido com a força que permanecia. Sentia-se o sopro da história e da aventura. E identificamo-nos com Fabrice: acontecem-lhe tantas desgraças e, apesar de tudo, ele avança. Na prisão, esse tipo de coisa conta.
Um espectador — O que sentiu no último momento, quando compreendeu que estava realmente livre?
L. V. — A partir do momento em que estive com os franceses, soube que tinha acabado. Disse simplesmente para mim mesmo: «Safo-me.» E quase de imediato: «Como é possível?» É um sentimento que nunca me deixou verdadeiramente.
Um espectador — Opõem-se por vezes os stendhalianos e os proustianos. Pode-se ser as duas coisas?
L. V. — Sim, felizmente! Mas ainda me resta muito por ler, tanto de um como do outro.
J. B. — É tudo o que lhe podemos desejar. Obrigado pela sua presença e boa noite a todos.